Vidabrasil circula em Salvador, Espírito Santo, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo Edição Nº: 315
Data:
30/9/2002
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» Índice
» Foco
Um brinde ao paladar  

» Turismo
Australia Em contato com a natureza  

» Comportamento
é proibido fumar Os Estados Unidos não cessam a guerra contra o cigarro. Estão proibindo os fumantes de alimentar o vício até nas suas próprias casas  

» Arte
Conheça a técnica de pintar as matas brasileiras, da pintora Beth Lírio, que está conquistando o mundo
» Editorial
O endereço do crime
» Boca Miúda
Surpresa de São Matheus, pode atrapalhar os planos do “chapão” que quer eleger grande número de deputados
» Triângulo
Ortopedista Geraldo Silveira implanta equipamento revolucionário em sua clínica de Santa Lúcia
Foco

O ambiente é aconchegante, a cozinha contemporânea, a carta de vinho variada. O restaurante Il Buon Gustaio, comandado pelo chef Dinho, caiu nas graças de um seleto público capixaba e tem motivos para isso.  
O lugar, instalado na parte de trás da Casa do Porto, é reservado e confortável, com uma parte fechada, que ganhou decoração rústica, e um terraço protegido por grandes “ombrelones”.  
Agora, Edwalter Luiz Rossoni, 36 anos, conhecido como Dinho, se prepara para mais um passo. Ele inaugura em outubro o segundo piso do restaurante, que vai funcionar como uma área reservada com 28 lugares, onde poderão ser realizados eventos fechados.  
Uma adega climatizada com capacidade para três mil garrafas, completa o ambiente. Para oferecer um atendimento diferenciado aos seus clientes, fiéis, diga-se de passagem, Dinho instalou gavetas privadas que poderão ser personalizadas, para que ali sejam guardadas com segurança as safras preferidas, para serem degustadas com os pratos do Il Buon Gustaio.  
O cardápio do Il Buon Gustaio pode ser traduzido como uma cozinha italiana com sotaque mediterrâneo, adaptado ao paladar capixaba. Isso pode ser interpretado como pratos leves, com menos molhos que a cozinha italiana tradicional. Carnes, vitelas, cordeiro, coelho e peixes são pontos fortes do Il Buon Gustaio.  
Sempre acompanhados de massas ou legumes sauté, os pratos privilegiam o sabor original da comida. “Usamos a menor quantidade de ingredientes possível, para não mascarar o paladar da comida”, descreve Dinho, que não se priva de literalmente colocar a mão na massa.  
Embora ele conte com dois fiéis ajudantes de cozinha, um deles o acompanha desde que retornou da Itália, em 2000, e o outro um legítimo italiano que ele trouxe para reforçar a equipe, Dinho define o cardápio, escolhe os ingredientes e elabora os pratos.  
O resultado deste cuidado pode ser confirmado por algumas iguarias que vão das entradas aos pratos principais, passando pela carta de vinho harmonizada com o cardápio, elaborada pelo sommelier Ariel Perez.  
São mais de 200 rótulos da bebida, de safras elogiadas de países como Chile, Estados Unidos, Austrália, Itália, para citar alguns. Aliás, a ampliação do Il Buon Gustaio vai atender, de imediato, ao público enófilo.  
Estão previstos cursos de degustação de vinhos para iniciantes, enófilos e experts.  
Cardápio harmonizado com safras de vinhos também darão origem a futuros eventos como “jantares vínicos”, definição portuguesa para o casamento ideal entre o que se come e o que se bebe.  
Inaugurado em dezembro passado, o Il Buon Gustaio recebe constantemente os visitantes que passam pela cidade para os encontros dos eventos ligados ao vinho. Em uma destas visitas, recebeu o representante de uma vinícola chilena, que produz um vinho exclusivo para restaurante, que ele fornece para os Estados Unidos e Inglaterra.  
Ele gostou tanto do Il Buon Gustaio e da hospitalidade do chef Dinho, que abriu uma exceção e passou a fornecer para o restaurante remessas do especialíssimo rótulo Penãlolem. “Ele ficou tão empolgado com o ambiente, o clima do lugar e a comida, que disse que eu tinha que ter o vinho e ia me fornecer”, conta o chef.  
Itália – Dinho tornou-se chef durante sua estada na região de Treviso, na Itália, onde morou por mais de dez anos. Lá, ele trabalhou em vários restaurantes e funções, até inaugurar, em dezembro de 95, o Tratoria Al Campanille, que ficava em frente à Igreja San Giovanni.  
Até janeiro de 2000, Dinho comandou a cozinha de seu próprio restaurante voltado para a típica cozinha italiana. Até lá, duas passagens em sua vida foram fundamentais para ele se firmar como chef.  
A primeira foi trabalhar em um restaurante de carnes de caça e massa, também em Treviso, cuja proprietária, de 75 anos de idade, era fabulosa cozinheira. “Comecei lá como ajudante e aprendi muito. Ela é excepcional e cozinha até hoje. Nos falamos de vez em quando para trocarmos receitas”, conta.  
Outra prova de fogo foram os dois anos em que ele morou na Alemanha. Dinho trabalhou em um restaurante de cozinha italiana em Frankfurt, Na Main. “Foi onde eu passei a ser chef. Quando saí de lá para abrir meu próprio restaurante na Itália, já era chef dos chefs”.  
No período em que teve restaurante em Treviso, de 95 a 2000, ele recorda-se de ouvir todos os dias o badalar dos si-  
nos da Igreja San Giovanni. Voltar ao Brasil no melhor momento de sua trajetória profissional na Europa foi uma opção pela qualidade de vida.  
“Eu e minha esposa estávamos muito bem lá. Mas queríamos ter um filho. Voltávamos para o Brasil naquele momento para criar uma família aqui, próxima das nossas raízes e familiares, ou ficaríamos lá definitivamente”, explica Dinho.  
A decisão foi certeira. Hoje, com o Il Buon Gustaio consolidado e vendo a pequena Ana Carolina, de um ano, subindo e descendo os degraus do terraço do restaurante, ele sabe que fez a coisa certa. “Sinto saudades, mas queria criar meus filhos aqui. Não tínhamos ninguém lá”, conta ele.  
Retorno – Ao voltar para Vitória, Dinho, que é de Itaguaçu, teve uma rápida passagem pelo restaurante Reppublica di Venezia, onde foi sócio e chef de cozinha por seis meses, até assumir o Café do Museu, instalado na área externa do Museu Ferroviário Vale do Rio Doce.  
A passagem pelo Reppublica di Venezia foi rápida, mas o suficiente para ele apresentar a sua culinária para os capixabas, que o seguiram no Café do Museu, mesmo o local estando fora da rota dos grandes restaurantes.  
“Muitos pensam que não estou mais no Museu, mas continuo lá”, avisa. Ele trouxe de volta da Itália a cunhada, irmã da esposa dele, a chef Cleonice, que cuida do Café do Museu, enquanto ele fica no Il Buon Gustaio.  
“A Cleonice é uma chef fantástica e fez o mesmo caminho que eu na Itália. Ela passou pelos mesmos restaurantes que eu trabalhei”, conta. A esposa Vera Lúcia, que sempre o acompanhou, trabalhando com ele nos restaurantes italianos, continua dando “uma força”, mesmo que dedicando a maior parte do tempo aos cuidados com Ana Carolina, que parece ter nascido já influenciada pelo clima gastronômico.  
Imagine que o jantar dela, com apenas um ano, é uma boa polenta com queijo, e ela rejeita a água e chora por um gole de uma taça de um bom vinho diluído em água. “Espero mesmo que ela goste”, torce o pai.  
Tradição – Na verdade, Ana Carolina tem de quem herdar. A avó de Dinho era a banqueteira dos casamentos que ocorriam em Itaguaçu, há 50 anos. “Vou para a cozinha todos os dias”, confessa.  
Como todo cozinheiro, ele tem  
seu ponto forte quando está no fogão e sentado à mesa. “Gosto muito de preparar risotos. Eles são meu ponto forte. E adoro comer uma boa pizza”, confessa.  
Tanto que a Pizzaria Donatello, que costuma freqüentar, criou a pizza “Chef Dinho”, feita com mussarela de búfala, tomate cereja e manjericão. Já no Zé da Pizza, outro local que costuma ir matar a saudade da Itália, ele escolhe a massa com cobertura de alcachofra, pepperone e cebola. Ele só não abre mão de uma coisa: a massa finíssima. Mama mia!

  
O chef Dinho

No pátio, o clima romântico de uma vila italiana. O Il Buon Gustaio virou referência de cozinha italiana na capital capixaba





À mesa, iguarias de soberbo paladar.

Na parte interna do restaurante, mesas bem dispostas e climatização ideal para se beber um bom vinho

De garçons a cozinheiros, passando pela seleta clientela, a relação com o chef Dinho é sempre uma festa

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