É o que concluiu o “Ranking do Saneamento 2014”
preparado pelo Instituto Trata Brasil, respeitadíssima organização não
governamental especializada na questão. Cem maiores municípios foram analisados
tomando-se como base os dados de 2012 do Sistema Nacional de Informação sobre
Saneamento (SNIS) do Ministério das Cidades.
O ranking investigou, não somente a coleta e o tratamento de esgotos nas cidades com mais de 250 mil habitantes, como também a expansão da rede de abastecimento de água e as perdas provocadas por tubulações velhas e ligações clandestinas.
Logo de cara, algumas constatações gritantes: as duas cidades mais ricas do país – São Paulo e Rio de Janeiro – tratam apenas a metade de seus esgotos (São Paulo, 52,15% e Rio, 50,2%). Enquanto isso Franca, no interior paulista, consta como primeira no ranking de melhor cidade em termos de saneamento básico. Em 2012 promoveu a coleta de 100% de seus esgotos e fez 98,8% do seu devido tratamento.
Já a cidade de Santos, no litoral de São Paulo, também
foi a única que nesse mesmo ano foi 100% em coleta e tratamento. Curitiba é a capital com os melhores
serviços de abastecimento de água. A despeito desse bom desempenho, duas
capitais – Porto Velho e Cuiabá – vergonhosamente não contam com nem um por
cento de tratamento de esgotos. Aliás, as cidades do Norte e Nordeste
brasileiro são as piores em saneamento básico. O Sudeste apresenta 16 das 20
cidades com melhores notas.
De todos os municípios brasileiros avaliados 55 tratam só 40% dos esgotos. E 34 deles não têm seus Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB) definidos. Imagina-se a situação das cidades menores.
Determinado por uma lei federal de 2007, o Plano Municipal de Saneamento Básico tem como premissa universalizar os serviços de saneamento básico no país. Entretanto, de acordo com o ranking do Instituto Trata Brasil – e pelo andar dessa tartaruga manca – o objetivo não será atingido nos próximos vinte anos, como estava previsto.
O resumo da ópera é este: diariamente o Brasil despeja
no meio ambiente 2 959 piscinas de esgotos sem qualquer tratamento. Cada
piscina tem capacidade para 2,5 milhões de litros. É muito. Além de contaminar
os nossos recursos hídricos, esse monte de lama fétida pode ser responsável por
casos de doenças como verminoses, hepatite A, dermatites e diarreias que
entopem os hospitais.
Conclui o “Ranking do Saneamento 2014”. Esta nova
edição do ranking revela que os avanços nos serviços de água e esgotos, assim
como na redução das perdas de água nas 100 maiores cidades, continuam lentos e
que, a se manterem os mesmos níveis de avanços encontrados de 2008 a 2012, não
ocorrerá a tão sonhada universalização dos serviços em 20 anos. Os resultados
mostram a necessidade de haver um maior comprometimento dos governos federal,
estaduais e municipais, se quisermos universalizar o saneamento em duas
décadas”.