Óleos de massagem comestíveis, vibradores, algemas e "lingerie" são alguns dos produtos apresentados pelas assessoras de Maleta Vermelha "Regra geral, os produtos são produzidos por homens, consumidos por homens, mas utilizados por mulheres. Aqui, os produtos são concebidos por mulheres, adquiridos por mulheres e como são elas que os levam para casa, é lógico que a 'vítima' vá ser o homem."
O "tuppersex" é apenas uma das vertentes desta revolução "rosa choque" que a indústria do sexo atravessa. As mulheres ainda têm pudor em entrar numa "sexshop". No entanto, estão cada vez mais decididas a não deixar a sua satisfação sexual nas mãos deles. Se, quando foram abertas as primeiras sexshop no Brasil, as mulheres viravam a cara ao passar em frente, agora são elas quem mais entram no estabelecimento, e desinibidamente chamam os artigos pelo nome. Os comerciantes do ramo parecem já ter percebido o potencial do novo nicho de mercado e estão adequando a sua oferta a este público exigente.
Sem
idade-Vendedoras de produtos eróticos em domicilio, garantem que o negócio não
tem idades, segmentos sociais ou estado civil, uma vez que são procuradas por
todo o tipo de mulheres. Contudo, "curiosamente as mais velhas estão mais
abertas ao conceito". As mais jovens costumam dizer: "Somos novas
para que precisamos de brincadeiras na cama? Vamos guardar isso para quando
formos velhas". Primeiro grande erro: "Os artigos foram criados,
sobretudo, para incentivar o casal à descoberta e quebrar a falta de intimidade
e comunicação. E isso não tem idade".
Maria sabe disso. Mãe há menos de um ano e com uma profissão desgastante na área de "marketing", a anfitriã da noite acredita que "independentemente da idade, todos os casais acabam um dia por acusar a rotina e este tipo de produtos pode ajudar a fazer algo diferente e suscitar o desejo". E não tem dúvidas que "as mulheres estão hoje muito mais à vontade com o sexo e conscientes do seu papel ativo na sexualidade do casal".
O momento
mais aguardado destas noites é a chegada do mítico massageador corporal, vulgo
vibrador. "Todas as mulheres vão ter um na mão, mexer nele, sentir o tato
e as diferenças de intensidade", explica Maria. Encarados pelos homens
como "concorrência desleal", estes objetos estão cada vez mais
adaptados às necessidades da mulher moderna e acompanham o desenvolvimento
tecnológico. Há de todos os tamanhos, cores e texturas. Há aquáticos ou em
forma de "batom" para discretamente transportar na bolsa. Há os que
rodam e os que, ligados ao iPod, vibram ao ritmo da música. As reuniões
acontecem em todos os lugares, mediante marcação, e mais do que uma vertente
comercial, têm um importante efeito pedagógico. Maria acredita que falar
abertamente sobre estas questões ajuda as mulheres a perceberem que as suas
dúvidas são comuns e que por vezes basta uma pequena brincadeira mais picante
para romper a rotina e salvar uma relação.
Durante as reuniões, são trocados conselhos e dicas. Dos preliminares ao orgasmo, passando pelo poder das algemas e do chocolate derretido, até aos telefonemas eróticos e jogos com vibradores telecomandados, a criatividade não tem limites. Fica a única advertência: "O lubrificante é o melhor amigo da mulher e deve estar na mesinha de cabeceira, junto às aspirinas".
No
anonimato da web-Outra atividade com muita procura feminina é a dança do tubo
("pole dance") popularizada pela personagem vivida pela atriz Flávia
Alessandra na novela Duas caras. No passado associada a "stripers", a
"pole dance" é uma técnica que as mulheres querem dominar "porque já perceberam que é um bom exercício físico e que também as ajuda
a trabalhar a postura e a sensualidade", explica Iria Raposo, bailarina e
professora de "pole dance". Mesmo assim, confessa, "as mulheres
ainda têm certo preconceito e até vergonha, mas para ter alunas de 40 anos é
porque as coisas estão mudando".
Finalmente,
as mulheres estão mudando a sua relação com a conquista do prazer, num mundo
onde o sexo assume cada vez mais contornos de "glamour”, sexshops on-line
também já se vestem de rosa. É um universo em crescimento, a adequar-se a um público
sedento de anonimato. A portuguesa Coral Silva - é com este nome que assina -,
33 anos, criou o site www.anjosdopecado.com/ para preencher "uma
lacuna" no mercado nacional e vender "sex-toys". Tem, em média,
500 visitantes diários, vendas mensais de 50 produtos e margens de lucro que
rondam os 80 por cento. Vibradores, mini vibradores e lubrificantes são os mais
procurados. Os maiores clientes "são as mulheres".