QUAL A FORMA CORRETA DE COLOCAR A CAMISINHA?
Para que a
camisinha cumpra o seu papel "protetor" durante o ato sexual, deve-se
ter em mente alguns aspectos cruciais para o seu uso. "Em primeiro lugar,
deve estar de fácil acesso antes do ato e o invólucro que a contém só deve ser
aberto no instante do seu uso", explica o urologista Sylvio Quadros, chefe
do departamento de DST da Sociedade Brasileira de Urologia. O pênis deve estar
ereto, livre de lubrificantes, cremes ou pomadas. A pessoa deverá então segurar
o preservativo pela extremidade, deixando um espaço isento de ar na ponta para
conter o sêmen, diminuindo assim a chance de rompimento. A seguir, a camisinha
deve ser desenrolada, da extremidade para a base do pênis.
Após o ato sexual, ainda com o pênis ereto, a camisinha deve ser retirada com cuidado, de forma a impedir que o sêmen extravase. "Segure a camisinha na extremidade com os dedos de uma mão, ao mesmo tempo em que, com a outra, você retira a proteção no sentido da base para a extremidade."
COMO ESCOLHER O TAMANHO IDEAL?
A medida convencional usada para determinar o tamanho
da camisinha é a do diâmetro, cujo valor médio (tradicional) e mais encontrado
para o consumidor é de 52 mm. "Entretanto, podem ser adquiridos
preservativos de 55 mm (extra) e de 49 mm ('teen'), que devem ser escolhidos de
acordo com as dimensões do pênis", declara o urologista Sylvio. Quanto ao
comprimento, as camisinhas variam de 16 a 19 centímetros, sendo de extrema
importância a certificação do tamanho correto, pois camisinhas maiores do que o
tamanho do pênis podem comprometer a proteção. Na dúvida, escolha o tamanho
padrão e troque em caso de desconforto. As espessuras das camisinhas também
podem variar, sendo as mais finas - modelos "sensíveis" - indicadas
para pessoas que perdem a sensibilidade com a camisinha normal e acabam
sentindo menos prazer no ato sexual.
EXISTE RISCO DE GRAVIDEZ?
Sim, mas eles normalmente estão associados ao mau uso
do preservativo. "Se a camisinha é colocada corretamente e usada do início
ao fim da relação, em todas as relações, as chances de gravidez são próximas de
zero", diz a ginecologista Arícia Helena Giribela, da Sociedade de
Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.
A CAMISINHA PROTEGE CONTRA TODAS AS DSTS?
Não. "A base do pênis e área externa na vagina não
são contempladas pela proteção da camisinha, portanto qualquer ferida ou
verruga causada por DST nessas partes pode ser transmitida pelo contato",
diz o urologista Sylvio. Isso quer dizer todas as áreas da região íntima que
ficam em contato pele com pele tem potencial para transmitir DST, como verrugas
e feridas consequentes de HPV e gonorreia. Além disso, o especialista afirma
que existe uma remota chance do vírus da Aids passar por entre as microscópicas
malhas do látex que compõe os preservativos, mas que para isso acontecer o
portador precisa apresentar taxas muito altas do vírus. "Apesar disto, a
camisinha ainda é o único e mais seguro recurso para proteger das mais diversas
doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada." Para o caso
de pessoas que tem uma DST na parte externa da genitália, o melhor é buscar
tratamento e suspender as relações sexuais, evitando o risco de transmitir ao
parceiro.
SE EU USAR MAIS DE UMA, ESTOU MAIS PROTEGIDO?
Essa prática não é recomendada, pois a fricção das duas malhas de látex pode causar um rompimento das camisinhas, muitas vezes sem a percepção do usuário. "Usar mais de um preservativo irá diminuir a sensibilidade do homem naquele local, fazendo com que ele não note o rompimento ou então não sinta prazer no ato", explica o urologista Sylvio. A mesma lógica vale para a camisinha feminina, que deve ser usada individualmente, nunca em conjunto com a masculina.
É NECESSÁRIO USAR DURANTE O SEXO ANAL?
Sim, principalmente para evitar infecções e contaminações na área. "Isso porque a flora bacteriana da região anorretal é diferente da que encontramos na uretra ou vagina, podendo oferecer uma dificuldade extrema de tratamento caso venha causar infecções uretrais ou vaginais", explica o urologista Sylvio. Outro ponto é a transmissão de DSTs, que também pode acontecer por meio do sexo anal, sendo necessário o uso de camisinha.
PESSOAS
QUE TÊM ALERGIA A LÁTEX PODEM USAR A CAMISINHA MASCULINA?
Evidentemente que se tem alergia, o indivíduo não deve usar a camisinha masculina feita de látex. Hoje no mercado existem as camisinhas feitas de silicone, ou mesmo a camisinha feminina, que é feita de poliuretano ou borracha nitrílica, materiais com pouco potencial alergênico. Caso o homem ou a mulher sejam alérgico ao látex, o ideal é buscar essas alternativas.
SE A CAMISINHA FURAR, QUAL O PROCEDIMENTO MAIS ADEQUADO?
É preciso salientar que a camisinha raramente irá estourar se for usada e conservada adequadamente. "Caso ocorra o rompimento, o coito deverá ser interrompido imediatamente e uma nova camisinha deve ser adequadamente usada", explica o urologista Sylvio. A ginecologista Arícia também recomenda o uso da pílula do dia seguinte, para os casos em que se quer evitar a gravidez.
QUAL O PRAZO DE VALIDADE DE UMA CAMISINHA?
O prazo de validade varia de três a cinco anos,
dependendo do fabricante. "Esse tempo é contado a partir da data de
fabricação, que vem impressa na embalagem" alerta Sylvio Quadros. Para sua
melhor conservação, devemos mantê-la longe de umidade e calor excessivo, além de
evitar dobrá-la, amassá-la ou mantê-la por muitos dias dentro da carteira, da
bolsa, porta-luvas ou porta-malas do carro. "Sem esquecer que ela deve ser
retirada do invólucro apenas instantes antes da sua utilização."
FALTA DE LUBRIFICAÇÃO DURANTE O SEXO PODE ESTOURAR A CAMISINHA?
Sim, esse é um dos principais fatores de rompimento.
Por isso, a penetração só deve acontecer quando a mulher já estiver excitada e devidamente lubrificada. "No caso do sexo anal, em que não há lubrificação
natural, é recomendado o uso de produtos lubrificantes adequados", afirma
o urologista Sylvio. Caso a mulher tenha muito pouca ou não possua lubrificação
natural, é indicado também o uso dos produtos.
EU POSSO USAR A MESMA CAMISINHA EM DOIS ATOS SEXUAIS SEGUIDOS?
Nunca, mesmo que não haja ejaculação. "Um dos
fatores de rompimento da camisinha é o seu uso prolongado, pois aumentará a
fricção ou mesmo diminuir a área de extravasamento", alerta Sylvio
Quadros. O ideal é ter sempre mais de um preservativo disponível, para que ele
possa ser trocado a cada ato sexual consecutivo.
A CAMISINHA EXCLUI O USO DE OUTROS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS?
Não. Usar a
camisinha durante as relações sexuais não impede o casal de manter ou começar a
usar outros métodos contraceptivos, como a pílula anticoncepcional ou o
adesivo. Da mesma forma, uma mulher que já faz uso desses métodos não deve
dispensar as camisinha durante as relações sexuais, uma vez que esses métodos
protegem apenas contra a gravidez, e a camisinha também previne DSTs. Vale
lembrar que a pílula anticoncepcional é aquela de uso contínuo, e não a pílula
do dia seguinte - essa deve ser usada apenas no caso de a camisinha ter
estourado ou qualquer outra situação que levante a suspeita de gravidez após a
relação sexual.