Como vocês sabem, a escolha de Sofia é a história de uma mãe
judia no campo de concentração nazista de Auschwitz, que é forçada por um
soldado alemão a escolher entre o filho e a filha - qual será executado e qual
será poupado. Se ela se recusasse a escolher, os dois seriam mortos. Ela
escolhe o menino, que é mais forte e tem mais chances de sobreviver, porém
nunca mais tem notícias dele. A questão é tão terrível que o título se
converteu em sinônimo de decisão quase impossível de ser tomada.
"SERRA OU DILMA? A ESCOLHA DE SOFIA"
"Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam." (Edmund Burke)
Os antigos atenienses tinham razão ao dizerem que assumir qualquer lado é melhor do que não assumir nenhum?”
Mas existem momentos tão delicados e extremos, onde o que resta das liberdades individuais está pendurado por um fio, que talvez essa postura idealista e de longo prazo não seja razoável. Será que não valeria a pena ter fechado o nariz e eliminado o Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista em 1933 na Alemanha, antes que Hitler pudesse chegar ao poder? Será que o fim de eliminar Hugo Chávez justificaria o meio deplorável de eleger um candidato horrível, mas menos louco e autoritário? São questões filosóficas complexas. Confesso ficar angustiado quando penso nisso.
Voltando à realidade brasileira, temos um verdadeiro monopólio da esquerda na política nacional. PT e PSDB cada vez mais se parecem. Mas existem algumas diferenças importantes também. O PT tem mais ranço ideológico, mais sede pelo poder absoluto, mais disposição para adotar quaisquer meios – os mais abjetos – para tal meta. O PSDB parece ter mais limites éticos quanto a isso. O PT associou-se aos mais nefastos ditadores, defende abertamente grupos terroristas, carrega em seu âmago o DNA socialista. O PSDB não chega a tanto.
Além disso, há um fator relevante de curto prazo: o governo
Lula aparelhou a máquina estatal toda, desde os três poderes, passando pelo
Itamaraty, STF, Polícia Federal, as ONGs, as estatais, as agências reguladoras,
tudo! O projeto de poder do PT é aquele seguido por Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa
no Equador, enfim, todos os comparsas do Foro de São Paulo. Se o avanço rumo ao
socialismo não foi maior no Brasil, isso se deve aos freios institucionais,
mais sólidos aqui, e não ao desejo do próprio governo. A simbiose entre Estado
e governo na gestão Lula foi enorme. O estrago será duradouro. Mas quanto antes
for abortado, melhor será: haverá menos sofrimento no processo de ajuste.
Justamente por isso acredito que os liberais devem olhar
para este aspecto fundamental, e ignorar um pouco as semelhanças entre Serra e
Dilma. Uma continuação da gestão petista através de Dilma é um tiro certo rumo
ao pior. Dilma é tão autoritária ou mais que Serra, com o agravante de ter sido uma terrorista na juventude
comunista, lutando não contra a ditadura, mas sim por outra ainda pior, aquela
existente em Cuba ainda hoje. Ela nunca se arrependeu de seu passado
vergonhoso; pelo contrário, sente orgulho. Seu grupo Colina planejou diversos
assaltos. Como anular o voto sabendo que esta senhora poderá ser nossa próxima
presidente?! Como virar a cara sabendo que isso pode significar passos mais
acelerados em direção ao socialismo “bolivariano”?
Entendo que para os defensores da liberdade individual, escolher entre Dilma e Serra é como uma escolha de Sofia. Anular o voto, desta vez, pode significar o triunfo definitivo do mal. Em vez de soco na cara ou no estômago, podemos acabar com um tiro na nuca.
Dito isso, assumo que votarei em Serra. Meu voto é anti-PT
acima de qualquer coisa. Meu voto é contra o Lula, contra o Chávez, que já declarou abertamente apoio a Dilma. Meu voto não é
a favor de Serra. E, no dia seguinte da eleição, já serei um crítico tão duro
ao governo Serra como sou hoje ao governo Lula. Mas, antes é preciso retirar a
corja que está no poder. Antes é preciso desarmar a quadrilha que tomou conta
de Brasília. Só o desaparelhamento de
petistas do Estado já seria um ganho para a liberdade, ainda que momentâneo.
Respeito meus colegas liberais que discordam de mim e pretendem anular o voto. Mas espero ter sido convincente de que o momento pede um pacto temporário com a barbárie, como única chance de salvar o que resta da civilização - o que não é muito.