abrigava a corrente do então clandestino PCB, o partidão.
Dirigente sindical da Petrobrás é fundador da
CUT-Brasil e da CUT Bahia, sendo membro eleito do seu primeiro conselho político.
Em Vitória da Conquista, foi secretário de Expansão
Econômica durante o governo José Pedral, um mito vivo da política local. No
Governo Waldir Pires, foi sub-Secretário de Transportes e Comunicações. Em 1991
passou a atuar na iniciativa privada sem, entretanto, abandonar a política. Em
1999, fundou o PSB em Vitória da Conquista. Há vinte anos no partido, Elísio
assistiu nos últimos cinco anos a invasão arrebatadora da máquina Lidice-Leonelli.
Esta
semana, Elísio e seu grupo desistiram de conviver sobre o mesmo teto partidário
com a dupla Lidice-Leonelli e seu fiel escudeiro (deles) Edézio Lima. Entre
maracutaias partidárias, falta de dialogo e divergências inconciliáveis, a
opção inicial Foi a desfiliação “Chegamos a conclusão que o PSB da Bahia optou por
ser uma agremiação pequena e fraca, de propriedade da dupla Lídice/Leonelli.
Isto facilita a vida deles na hora da ocupação de cargos, distribuição de
benesses e aproximação com o poder na Bahia.”, afirmou o político em entrevista
a Janio Lopo
Em 2006 Elísio saiu candidato a deputado estadual
visando fortalecer o partido. O grupo que se agregou em função da sua candidatura,
após as eleições começou a questionar a democracia interna da legenda, segundo
eles, fechada, exclusivista e voltada para defender interesses e vontades da
dupla Lidice-Leonelli. Não havia abertura para a discussão.
Em 2007, o grupo de Elísio reuniu-se coma executiva
nacional e foi estimulado a permanecer no partido que vinha de um péssimo
desempenho no Estado que é o terceiro colégio eleitoral do país. “Éramos uma luz no fim do
túnel. Em função deste estímulo sentimo-nos motivados a disputar o congresso
estadual do partido.” Afirma Elísio.
Em
decorrência da reunião com a executiva em 2007, no ano seguinte, 2008, com o
apoio de 49 diretórios, o grupo de Elísio se organizou e sentiu-se cacifado
para disputar o comando do partido, mesmo sabendo das dificuldades e do poderio
da dupla Lidice-Leonelli. “Sabíamos da impossibilidade de vencer, mas
acreditávamos que aquele seria o momento de grande riqueza para o
fortalecimento do partido, porque acreditamos que um partido socialista precisa
aprofundar sua discussão sobre todas as teses levantadas, inclusive, as
divergentes”. Lembra Elísio.
Apesar do clima de
“conversas”, ainda segundo Elísio, o congresso de 2008 ocorreu sob a égide de
boicotes, irregularidades e irresponsabilidades. “Mesmo assim continuamos a insistir para que
Lídice através de seu Primeiro Secretário Edézio Lima, nos fornecesse as
bases nas quais estavam montadas o processo de votação. Para nossa surpresa, no
dia 15 de maio de 2008, às 14h14min, antevéspera do congresso, menos de 48
horas do pleito, foi-nos fornecido a lista dos municípios aptos a participar da
votação. Constatamos uma total discrepância entre a lista do partido e a do
diretório nacional. Para não entrarmos em maiores detalhes, havia 75 municípios
relacionados na lista da Bahia que não existiam para o nacional. Outro absurdo
é que eles relacionaram 36 municípios
Com tudo isso, o grupo de
Elísio ainda conseguiu algumas vitórias dentro do partido, como a de Paulo Mascarenhas: “Paulo é um velho amigo nosso. Foi candidato à reeleição a
presidência do PSB de Salvador em 2007. Na época tínhamos uma chapa encabeçada
por Gustavo Ferraz. Na oportunidade ocorreu um distúrbio gerado por uma jovem
liderança ligada historicamente a Lídice e Celsinho Cotrim. Reunimo-nos com
Mascarenhas e formamos uma chapa com ele na presidência. Fizemos uma única
exigência para o acordo: que ele fosse o presidente de todo o partido e não
apenas da dupla Lídice/Leonelli, aceitar essa exigência foi talvez o pecado
maior de Paulo frente a eles. A partir daí ele foi "demonizado" pelo
grupo. É importante lembrar que ele era um representante autorizado pela dupla
para estabelecer uma negociação conosco”
A eleição de Paulo
Mascarenhas oxigenou o partido e grupos não afinados com a dupla
Lidice-Leonelli passaram a ter posições importantes na direção do partido, mesmo
estando em minoria. ”A partir daí, começamos a escrever a história do PSB que
sob o comando de Lidice-Leonelli,não tinha atas, não tinha história!”Afirma Elísio.
Para Elísio, a tomada de
decisão para a desfiliação do seu grupo foi a constatação de que os interesses
pessoais de Lidice-Leonelli estão a cima dos interesses do PSB.
“Este foi o momento
decisivo para nossa tomada de posição. Constatamos que a política do PSB da
Bahia atende apenas aos interesses pessoais de Lídice/Leonelli, mesmo quando
ela traz contradições insuperáveis e mostram a impossibilidade de se construir
um PSB verdadeiro e coerente com seus princípios socialistas. Para não citarmos
um conjunto grande destas contradições vamos ficar apenas na situação de alguns
municípios importantes do estado. Em Paulo Afonso perdemos a reeleição de
Raimundo Caíres, um dos únicos prefeitos eleitos militante do PSB, por absoluta
falta de firmeza da direção estadual. Em Ilhéus, vencemos a eleição
exclusivamente porque o partido resistiu a tentativa de Leonelli de entregar,
subservientemente, a cabeça da chapa ao PT local - assunto nunca devidamente
esclarecido para nós - fato que acabou acontecendo em Salvador, onde a
candidata do nosso partido, mesmo estando na frente em todas as pesquisas,
acabou entregando, estranhamente, a cabeça de chapa ao PT. Na Região
Metropolitana Jeane Morais - candidata a prefeita de Dias Ávila -, valorosa
militante e primeira suplente de deputado federal do partido sofreu um enorme
massacre, inclusive por parte do governo Wagner, e mais uma vez a direção do
partido afrouxou na sua defesa.”
Finalmente Elísio
argumenta que a gota d’água para que seu grupo saísse em busca de outro teto
político, foi a dissolução do Diretório Municipal de Salvador legalmente
eleito. “Numa manobra sórdida. Reuniram seis, dos nove membros da executiva
provisória estadual, para "aceitar" uma renúncia de membros do
diretório municipal. O mais imoral é que formaram uma executiva provisória com
os mesmos que tinham renunciado, todos eles subordinados da dupla
Lídice/Leonelli. Mais ainda. Passados 60 dias nenhum dos membros destituídos
recebeu qualquer comunicação, formal ou informal, de que tinham sido "destituídos",
a não ser pela imprensa. Por tudo isto consideramos esgotadas as nossas
possibilidades de convivência com o grupo imperial que demonstra não ter
interesse no crescimento real e na democratização do PSB da Bahia.”