Vidabrasil circula em Salvador, Espírito Santo, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo Edição Nº: 298
Data:
15/1/2002
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E 2002?
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No Salão Internacional do Automóvel, em Frankfurt, um espetáculo de idéias, inovações, desenho e técnica
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Desempenho do sistema Vaspex em dezembro foi o melhor em seus cinco anos de existência
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A maldição de algumas dezenas de auxiliares diretos de FHC que hoje estão no ostracismo
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No Ano Prussiano de 2001, a Bundesgartenschau e jardins de palácios fizeram de Potsdam um parque
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“Cool hunters”, os caçadores de tendências que antecipam o que vai acontecer na moda
Truismo

Potsdam floresce  
A capital de Brandemburgo vestida de verde: a Bundesgartenschau e jardins de palácios fazem de Potsdam um parque.  
 
Sanssouci e Buga – Já se podem ouvir no som dos nomes, as letras rococó de Frederico e a fórmula pragmática abreviada de Bundesgartenschau. Muito em comum elas não podem ter. Mas os parques de palácios que o “alter Fritz”, Frederico, o Grande, já mandara construir em 1744, como jovem monarca, e o Bundesgartenschau de Potsdam encontram-se este ano em estreita relação. Apenas quinze minutos a pé separam os pequenos jardins de begônias e miosótis da imponente paisagem feudal dos parques. A Bundesgartenschau de Potsdam, diante das portas de Berlim, é a quinquagésima mostra, sendo a primeira a ocupar mais do que o terreno de exposições no Bornstedter Feld: ela se apossou também de partes da velha cidade, como o Lutsgarten, recém-restaurado, às margens do Havel, núcleo da mania de parques prussiana. A ilha Freundschaftsinsel, situada nas proximidades, com a sua coleção Stauden, representa os palcos “Orte am Fluss”. O Feldflur inclui áreas agrícolas, também uma novidade. Toda a cidade de Potsdam floresce – um presente também para o Ano Prussiano. Há exatamente 300 anos, foi coroado o primeiro príncipe dos Hohenzollern.  
Hístórea e modas - Aliás, a Buga sempre se movimentou por campinas históricas em todo lugar, também nos campos de Bornstedter Feld: durante 250 anos, esta praça, o atual centro da mostra de parques e jardins, tinha sido um campo militar e, ultimamente, até meados da década de 90, um campo de exercício de tropas do exército russo. E o Bundergartenschau brinca com essa história: um grupo de artistas espalhou pelo gramado grandes almofadas no estilo de camuflagem. Aterros altos, antigamente feitos para esconder tanques de guerra, compõem a periferia dos palcos de evento. Restos de concreto das cavernas, “vestígios das pedras”, lembram para que foram usados. Agora, o areal de 73 hectares floresce e verdeja pacificamente como nunca: os únicos que ainda estarão em posição de sentido aqui, até 7 de outubro, serão os amores-perfeitos. Depois disso, surgirá ao redor do parque da Buga um novo bairro residencial com aquilo que Potsdam ainda não teve, apesar dos seus inúmeros parques e palácios: um grande parque popular, em cujos gramados também se jogará futebol e onde se pode pular e brincar, pois isto é proibido nos parques históricos que desde 1990 estão na lista de patrimônios mundiais da Unesco.  
Esta paisagem cultural de Potsdam vai desde o castelinho Caputh até a ilha Pfaueninsel, um antigo conjunto de palácios, parques, jardins, lagos e colinas. Mas foi sobretudo graças a um virtuoso de parques que esta cidade se transformou nesta paisagem, com o verde nela e em torno dela – Peter Joseph Lenné . Durante 50 anos, de 1816 até sua morte em l866, este mestre jardineiro renano configurou a natureza a serviço dos reis da Prússia. Congenial, ele angariou os trabalhos do arquiteto Karl Friedrich Schinkel. E esta união já se pode ver a partir do Belvedere, no Pfingstberg, a maior colina da cidade: o conjunto artístico total de Potsdam com o parque Sanssouci, com os Neue Garten, com os jardins dos palácios Babelsberg e Glienicke, tudo ornamentado suavemente pelos lagos do Havel. Somente a Buga parece ser, daqui, uma vereda no verde, que ainda tem que crescer. O jogo de Lenné das perspectivas entre palácios, lagos e colinas fez da “ilha toda um paraíso”, como já tinha desejado o pai dos prussianos, o príncipe Frederico Guilherme, no século XVIII. E o Parque Sanssouci, a adoração do seu tataraneto Frederico, o Grande, e que é infinitamente mais do que um cartão postal do palácio com terraços de inverno, também foi remodelado por Lenné. Dos jardins barrocos cinzelados, que já nos tempos de Frederico não estavam mais na moda, ele formou um parque de paisagens naturais. Apesar disso, tudo está planejadíssimo neste areal de 290 hectares: toda colina, todo grupo de árvores, sobretudo os caminhos que sempre desvendam novas perspectivas e surpresas neste mundo maravilhoso de parques.  
Face romântica - A obra prima da arte de Lenné é o “Marlygarten”, restaurado para a mostra. Oculto ao pé de Sanssouci, ele é a face romântica da Prússia, em todos os aspectos, o oposto do clichê rigoroso de soldado. Nem se precisa saber quem o planejou, para apreciá-lo. Dois visitantes da Buga estão sentados num banco, piscando os olhos contra o sol, olhando o verde. “Bonito, né?”, diz um em berlinês. Isto é entusiasmo prussiano. Talvez, Lenné foi também louvado assim pelo seu comitente. Afinal, nesta fase não está senão o mais profundo sentido da arte de jardinagem

  
Barroco prussiano: o páto do palhácio Sanssouci serve de palco para o Ano Prussiano de 2001

Palácios dos Hohenzollern, lagos do Havel, colinas verdes: típico Potsdan – o Palácio de mármore e os Neue Garten

Futuro próspero: Marlygarten, à esquerda e Babelsberg



Sanssouci desesperado: Frederico, o Grande, quis o seu palácio de verão assim: a mais querida paisagem da Prussia

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