Vidabrasil circula em Salvador, Espírito Santo, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo Edição Nº: 304
Data:
15/4/2002
Capa | Edições anteriores| Assine já | Fale com a redação
Página visitada: 1927990 vezes
» Índice
» Editorial
A hora da escolha
» Atualidade
Homens durões...
» Foco
Ivo Pitanguy recebe homenagem em Vitória
» Turisnotas
Torneio de golfe: Transamérica Ilha de Comandatuba apresenta o II Challenge TAM Transamérica
» Turismo
No sul da Espanha, o Incosol é um oásis de descanso que mistura hotel com spa e clínica
» Autos
Aliado de elegância e do sentido prático, o F-Type marca o forte regresso da Jaguar
Atualidade

Os homens estão mais masculinos e as mulheres mais femininas. Ultrapassados os preconceitos impostos pelo feminismo radical, pelo machismo atávico e pela homossexualidade militante, o homem pode, finalmente, ser másculo sem deixar de ser sensível e a mulher pode acentuar as suas curvas sem pôr em risco a sua reputação ou abdicar dos direitos adquiridos. A demarcação dos respectivos territórios sexuais já não parece vulgar e ganha adeptos face aos defensores da ambiguidade. Não é por acaso que a curvilínea Jennifer Lopez é uma das belezas mais desejadas do planeta, e que “machos” clássicos, como Mel Gibson e George Clooney, sejam os favoritos das mulheres para uma possível aventura extraconjugal. Antropólogos, psicólogos e sociólogos falam já do regresso de um “homem novo”: um indivíduo de caráter mais forte, mais narcisista, mais individualista, absolutamente convencido das possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias. Um estudo publicado em 1999 pela revista científica “The Lancet” revelava que a maior parte das mulheres considerava muito atraentes os homens com porte atlético, altos e com o clássico tronco em “V”. E, de fato, este fenômeno social não passou despercebido no mundo da publicidade e da moda. Sobre as passarelas, o manequim “arrapazado”, delgado e equívoco, deu lugar ao atleta de músculos desenhados e mandíbula poderosa. No caso das mulheres, os decotes atrevidos, o protagonismo das pernas e as ancas generosas ondulando sobre saltos altíssimos resgataram o tipo de mulher sexy e provocadora dos anos 50. Paradoxalmente, o mesmo modelo de mulher-objeto que os movimentos feministas tanto contestaram.  
Homens em crise de identidade?  
A publicidade, essa, nunca dá passos em falso e preocupa-se apenas em vender produtos que tenham procura. Utiliza exaustivos estudos sociológicos e as mais avançadas técnicas psicológicas para se adiantar à cristalização das tendências sociais e atuar com precisão junto aos mercados. O departamento de criação da agência de publicidade Euro RSCG reconhece uma clara tendência para que o homem recupere a sua masculinidade: “um dos melhores exemplos é a campanha publicitária da Martini, onde o modelo representado é um homem durão, sedutor e charmoso, que arrasta consigo as mulheres. É um conceito que funciona”.  
Mas se as mulheres se sentem irremediavelmente atraídas pelo gênero “durão”, os homens perdem a cabeça com as curvas. E isso é algo que está muito claro na cabeça das mulheres. Podem dirigir empresas, doutorar-se em universidades, ser mães, dedicar-se à política ou pilotar aviões. No entanto, no instante da sedução, o fator determinante é a presença irresistível de um corpo delineado e sensual.  
Um bom exemplo desta verdade é a manequim britânica Sophie Dahl, o rosto (e o corpo) polêmicos do anúncio do perfume “Opium”, de Yves St. Laurent. Proibido no Reino Unido por “reduzir a mulher à condição de objeto sexual”, é no entanto, considerado por muitos como um exemplo de beleza feminina no seu estado mais puro.  
E algo parecido está acontecendo com os homens. Habituados a ser, desde sempre, os reprodutores e os chefes de família, aceitaram, surpreendidos, a entrada das mulheres em setores da sociedade que antes lhe eram vedados. As consequências não se fizeram esperar e o perfil do homem politicamente correto passou a ser educado, culto, sensível, preocupado com a ecologia e participante nas tarefas no lar e nos cuidados com os filhos.  
Entretanto, muitos começaram a revelar inseguranças face a este novo papel, mais imposto que assumido, e começou-se a falar de uma “crise de identidade”. Qualquer aproximação a uma mulher corria o risco de ser classificada de “machista” e qualquer comentário como “retrógrado”. Paralelamente, a moda apresentava um homem de traços assexuados, com roupas descaídas e ombros estreitos, eliminando a evidência das partes do corpo masculino mais associadas ao status viril.  
Obcecados pelo pênis - As tendências, porém, voltaram a mudar e, agora, indiciam que o “homem está de volta”, mais seguro de si próprio e sem medo de o demonstrar. Para alguns, trata-se de uma reafirmação da virilidade perdida. Para outros, não passa de uma versão reciclada do machismo mais básico, que implica uma aceitação por parte das mulheres que, assim, retomam o seu papel tradicional de objeto sexual, sem deixarem de ocupar o seu ativo papel atual na sociedade.  
Este machismo moderno e bem aceito é, exatamente, o que alguns atores australianos estão levando às telas com grande sucesso. Encabeçados pelo “todo poderoso” Mel Gibson e pelo “gladiador” Russel Crowe, um vasto naipe de galãs da Austrália voa meio mundo para desembarcar numa Hollywood desejosa de desvendar o segredo carismático que tanto agita a cabeça das mulheres.  
A sua economia de palavras, uma ou outra pose brusca e muito pragmatismo, condizem bem com os seus corpos compactos e explicam o êxito de Hugh Jackman, o “homem-lobo” de “X-Men”, de Guy Pearce ou Heath Ledger (o filho de Mel Gibson em “ O patriota”). Como um deles reconhece sem grande modéstia: é evidente que os australianos sabem fazer bem as coisas”.  
O machista europeu politicamente correto tem uma personalidade definida e, talvez, um pouco mais refinada que a dos seus congêneres australianos. De acordo com um estudo realizado entre homens dos 18 aos 40 anos, os padrões estão muito bem definidos: o seu espetáculo favorito é o futebol; o seu “hobby”, o ginásio; o seu ideal feminino, algo entre Pamela Anderson e Valéria Marini; o seu ídolo, Hugh Hefner, proprietário da “Playboy”; a sua obsessão, o seu próprio pênis. Este novo tipo de homem ama com a cabeça e não com o coração. “Fazem sexo do tipo utilitário, sem compromissos, por uma necessidade de evasão, afirmam os psicólogos. São hedonistas até ao egoísmo: cultivam o seu corpo para seduzir e o seu meio principal de relação social é a Internet, que está perfeitamente sintonizada com o seu individualismo”.  
Rebelde e másculo - Contudo, a imagem do homem rebelde e másculo que, ao despir-se , exibe um físico musculoso e faz um olhar arrebatador não surge do ar. Para conseguir um corpo assim, é preciso ajudar a natureza. Às muitas horas de academia, é preciso acrescentar umas quantas sessões de ultravioleta e, em alguns casos, até depilações a cera do peito e das costas. No caso de tudo isto não ser suficiente, resta sempre a solução rápida, via cirurgia plástica. De fato, cada vez mais são os homens que se unem às mulheres na crença de que “quem cuida do seu corpo, acredita em si mesmo”, submetendo-se a lipoaspirações para eliminar o ‘pneu’ (é um procedimento habitual de Bruce Willis), e realçando o peito e as maçãs do rosto com injeções de silicone.  
O que fica claro é que os tempos da ambiguidade sexual já passaram à história e a imagem mais ou menos paleolítica do macho possante e caçador volta a ganhar terreno. É preciso ser homem e parecê-lo, para seguir os passos de uma “nova mulher”, que se mostra disposta a jogar tudo pelo prazer da sedução  
 


mulheres sensuais
Sophie Dahl no anúncio do perfume “Opium”, de Yves St. Laurent, proibido no Reino Unido por “reduzir a mulher à condição de objeto sexual”
Não é por acaso que a curvilínea Jennifer Lopez é uma das belezas mais desejadas do planeta
Russel Crowe é um dos atores australianos que personificam o tipo de homem durão que as mulheres gostam

Copyright © 2001, Vida Brasil. - Todos os direitos reservados.