Vidabrasil circula em Salvador, Espírito Santo, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo Edição Nº: 312
Data:
15/8/2002
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Bahamas  
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Breve roteiro para quem ainda não conhece e acredita em alguns mitos sobre Brasília,a capital-coração do Brasil  

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Da moda à gastronomia, da arte à arquitetura, Paris exerce, há séculos, um inebriante fascínio em seus visitantes  

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17 anos
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O casamento de Eduarda Buaiz e o festival gastronômico do Villa Gourmet  

Entrevista

Um personagem capixaba ganhou as páginas dos principais jornais e revistas de todo o Brasil nas últimas semanas: José Carlos Gratz, 52 anos, deputado estadual em terceiro mandato, presidente da Assembléia Legislativa, acusado de comandar o crime organizado no Estado. Mas ele reage, diz não dever nada e promete aceitar a briga. Antecipa que será um dos deputados mais votados em outubro, assegura conquistar a presidência da Assembléia pela quarta vez consecutiva e anuncia o revide: vai disputar a Prefeitura de Vitória, em 2004.  
Com a língua mais afiada do que nunca, Gratz desafia seus adversários e o único inimigo político que identifica, o ex-governador Max Mauro, para um debate público sobre o Espírito Santo. “Eu conheço o Estado muito mais do que eles”, assegura.  
Para o deputado, todas as acusações contra ele são apenas uma reedição de tudo o que se diz sempre que se aproximam as eleições, “mas nunca provam nada”. E vê, agora, uma razão prática para tudo isso: interesses contrariados - "Todo mundo paga 25% quando telefona ou acende uma lâmpada, nós tributamos as redes de televisão e elas fizeram de mim o inimigo número um do Brasil”.  
José Carlos Gratz explica, também, as razões e os objetivos de projetos polêmicos na Assembléia, como a dificultação do plantio de eucalipto pela Aracruz Celulose e a cassação do direito concedido à Petrobras há 10 anos para explorar o gás natural no Estado. Garante que todos os seus negócios estão declarados no imposto de renda e, por fim, responde a uma instigante pergunta: afinal, é anjo ou demônio?  
– Presidente, quando o sr. chegou à presidência da Assembléia em 1997, deu uma entrevista à VidaBrasil em que previa o confronto com o grupo político do hoje senador Paulo Hartung. Hoje, o sr. está no olho do furacão. O sr. acredita que haja a mão do senador por trás de tudo isso?  
– O Paulo Hartung não é diferente dos meus outros adversários. Ele não se define publicamente, como Max Mauro, mas é um homem público que tenta por vias turvas me tirar do seu caminho. Só não está combinando isso com o povo.  
– O sr. e o então prefeito Paulo Hartung trilharam caminhos muito próximos, chegaram a conversar em relação à pretensão de Hartung em ser governador em 1998...  
– Realmente, eu previ tudo o que está acontecendo agora, e está em VidaBrasil de 1º de fevereiro de 1997. Sou um homem claro em minhas posições. Em 1998, por uma questão de justiça partidária, quem deveria ser candidato ao governo pelo PSDB seria Paulo Hartung, porque ele estava bem à frente de José Ignácio nas pesquisas. E na época eu disse que, se fosse convencional do PSDB, votaria no Hartung.  
Não concordo com quem prega práticas políticas modernas e age de outra maneira. O José Carlos da Fonseca Júnior, por exemplo, presidente do PFL, foi escrachado pelo Paulo Hartung e hoje está ao lado dele. Eu prefiro não trabalhar com a fórmula da política fácil.  
– Na reeleição de Luiz Paulo Vellozo Lucas em Vitória, em 1990, o PFL também ficou junto com o prefeito.  
– Não dá para conversar com um homem como o Luiz Paulo Vellozo. Ele me convidou e fui várias vezes ao gabinete dele, e tomei muito café na casa da mãe dele (a ex-presidente do Tribunal de Contas, Mariazinha Vellozo Lucas), e a conversa era sempre a mesma: queria saber o que deveria fazer para ser candidato único em Vitória.  
Ele queria ser homologado porque não tem o dom que eu tenho de contato com o povo. Ele tem esquemas com veículos de comunicação. Com isso, eu e todo o PFL fechamos com a candidatura dele, demos todo o tempo de televisão e votamos nele. Quando ele se elegeu, desapareceu. De outubro até dezembro, ninguém encontrou o prefeito reeleito.  
Foi então que trabalhamos a eleição da presidência da Câmara, elegendo o Ademar Rocha. Mas o Luiz Paulo achava que iria chamar os vereadores na última hora, como ocorreu desde a época do Paulo Hartung, e ter um poder legislativo submisso. É isso o que eles querem na Câmara de Vitória e na Assembléia Legislativa. E sabem que não vão ter isso comigo. Esse é o terror deles.  
Foi daí que o Luiz Paulo resolveu usar a frase de que o Ademar Rocha fazia parte do grupo do crime organizado. Então, ele, o Luiz Paulo, também é, porque eu era do grupo dele. Há pouco tempo me encontrei com o prefeito e perguntei: ‘Escuta aqui, o Ademar Rocha saiu do crime organizado ou você entrou?’. Ele apenas riu. Coisas da política.  
– Hoje, o Ademar Rocha apóia a administração.  
– O Ademar Rocha e seu grupo apóiam integralmente a administração municipal de Vitória. Mas a Câmara hoje é diferente. Aparece bem mais do que nos tempos de Vitor Buaiz, Paulo Hartung e no primeiro mandato do Luiz Paulo. A Câmara abriu três CPIs, que se fossem para frente iria dar o que falar. Eu condeno quem elege um político que entra na Justiça para parar uma CPI. E o Luiz Paulo parou as três CPIs da Câmara na Justiça. Se prosseguissem, o povo capixaba iria ficar estarrecido com esses negócios de lixo, plantio de árvores, limpeza de galerias, separação de areia, aterros.  
Na Assembléia, quando fizeram uma CPI contra mim, eu mandei tocar em frente. Nunca corri, porque quero que tudo seja transparente para o povo.  
Eu não vou esquecer de um jantar que tive com o Luiz Paulo e o Ricardo Ferraço quando fechamos um acordo para apoiar o Luiz Paulo à reeleição e eles apoiariam a minha candidatura ao Senado agora em 2002. Isso foi um acordo político. E eles nunca mais tocaram nesse assunto. Mas todo mundo sabe disso, foi publicado nos jornais.  
– O que sr. pretende fazer?  
– Meu projeto político já é público. Primeiro, buscar a reeleição para a Assembléia. Se eleito, sou candidato a presidente da Assembléia de novo e eles vão ter que me agüentar. E em 2004, se Deus me der saúde, ninguém me tira da disputa da Prefeitura de Vitória.  
– O sr. chama alguns políticos de adversários, mas outros o sr. chama de inimigos. Qual a diferença entre um e outro?  
– O adversário pode ser recuperado. O adversário de hoje pode ser o aliado de amanhã. Isso o Sun Tzu já ensinou há 2.500 anos em A Arte da Guerra, quando ensinou isso aos imperadores chineses, trazendo ex-adversários para serem os melhores e fiéis colaboradores do governo. Agora, inimigo não tem recuperação. É o caso do Max Mauro, que não é meu adversário, é meu inimigo.  
– Mais alguém é seu inimigo político?  
– Não. Mas eu agradeço ao Max, porque foi ele quem me colocou na vida pública. Ele tentou destruir a minha família, porque a dele já é destruída. Só que o alicerce da minha família é muito mais forte do que o morro do Penedo. Foi construído com amor e carinho, um casamento de 26 anos e dois filhos, e nunca o Max teve essa felicidade.  
Há 16 anos ele me persegue e vou torcer para que me persiga pelo menos por mais 16 anos. Tenho até um amigo em comum com ele que fala para eu não parar de brigar com o Max porque é a única maneira que ele tem de aparecer. É um desses políticos ultrapassados que deve encerrar sua carreira agora em janeiro, porque vai perder a eleição e o mandato de deputado, que vai acabar.  
– Neste mês de julho, o sr. foi estampado em todas as revistas e jornais do país, acusado de pertencer ao crime organizado no Espírito Santo. A "Folha de São Paulo" diz que o sr. não concluiu o curso primário. Isso é verdade?  
– Eu não sou bem visto pelos editores até em nível nacional porque tenho o meu próprio estilo, não vivo nas redações.  
Quando chamo esse pessoal de canalhas de caneta não quero ofender a categoria dos jornalistas, como o sindicato fez uma nota contra mim, mas vou diretamente a quem me atacou. Me entendo bem com os jornalistas que cobrem o dia-a-dia da Assembléia, mas não posso aceitar que os “Andreis Meirelles” da vida fiquem sem resposta. Então, todas as vezes em que me atacam, passo um fax pessoal para a redação. Dessa vez, as revistas que escreveram contra mim não tiveram coragem de atender a um telefonema meu na segunda-feira. Todos se esconderam.  
– Como foi o episódio no qual o sr. teria dito que os seus colegas eram otários?  
– Olha, eu fui muito atencioso com o jornalista da “Folha”. Quando acabou a entrevista, nós estávamos em vários deputados batendo papo, brincando. As pessoas têm que entender que um deputado passa a maior parte de sua vida ali na Assembléia, e há momentos de descontração, em que a gente brinca.  
Uma vez fui criticado por um jornalista capixaba porque chamo as pessoas de tio. E eu disse que só chamava de tio as pessoas de quem gosto, mas que a ele jamais chamaria assim. Vivo brigando, mas só brigo com adversários, geralmente políticos.  
No meio da brincadeira com os outros deputados, aquele jornalista não desligou o gravador. Foi quando surgiu a história de que chamei meus aliados de otários e deu página no jornal deles. Me falaram que saiu isso no jornal, mas eu não li.  
O que há nos jornais é uma repetição, tirando os informes econômicos. Se você pegar os jornais "A Tribuna" e "A Gazeta" de julho/agosto de 1994 e de 1998, vê que não há nada diferente dos dias de hoje. Sempre essa história de crime organizado, José Carlos Gratz, e são sempre as mesmas personagens pedindo garantia de vida, e estão todos vivos. Deus ajudou que não morreu ninguém e está todo mundo aí repetindo as histórias.  
O povo esquece, mas a gente não esquece.  
– Então, a história dos otários foi uma brincadeira sua?  
– Vale ressaltar que não fui eu que provoquei. Tínhamos vários deputados no meu gabinete e o jornalista lá. Então, ele comentou sobre os três mandatos de presidente, consecutivos. E um deputado amigo nosso (Luiz Carlos Moreira) disse: “Enquanto os otários votarem nele, vai ser presidente eternamente”. Eu brincando, falei: ‘E você vai ser otário pela quarta vez na semana que vem’.  
Isso, de brincadeiras, acontece na Assembléia a toda hora. Eu nunca falei isso para esse moleque. Ele transformou uma brincadeira entre deputados em uma página de jornal.  
– Deputado, o sr. sempre pagou um preço caro pela sua incontinência verbal. O sr. não parece perceber que isso pode prejudicá-lo. A sensação que o sr. me passa é que em determinados momentos o sr. se torna um menino, até com ingenuidade no falar.  
– Isso é verdade, e talvez seja porque eu não tive infância e fico querendo recuperar. Aos 11 anos de idade eu já trabalhava numa empresa chamada Representações Gaúcha. Eu vim de Ibiraçu com dez anos e com 11 anos trabalhava na Gaúcha, cujo dono, o José Muniz, que foi comodoro do Iate Clube, está vivo até hoje. De lá para cá, numa família como a nossa, com 15 pessoas morando num barraco na beira do mangue na Ilha das Flores, não dava para ter infância.  
Acho que é por isso que sou feliz hoje, porque minha infância é hoje. Mas isso não significa que eu seja menino sempre. Sou menino na hora da brincadeira e me transformo no mais responsável dos homens na hora de tomar atitudes em favor do Estado. Isso é da personalidade das pessoas. Já acordo sorrindo. Costumo brincar com as pessoas que se o mundo acabar de lá para cá eu vou começar a rir porque o de lá foi na minha frente.  
– A vida lhe foi generosa, deputado?  
– Acho que sim, porque não dá para imaginar que uma pessoa como eu chegou aonde chegou. Por isso eu prego para as pessoas que a esperança é a coisa mais importante da vida. Eu sou o chamado pé-rapado. Venho de lugar nenhum e cheguei aonde cheguei. Costumo dizer que Deus exagerou, acho que ele tirou dos outros e deu para mim.  
– O sr. entrou na política envolvido por uma série de circunstâncias, onde o que menos interessava era a política. Mas depois foi tomado por uma espécie de psiquê de rolle e tomou gosto pela coisa. Qual sua visão de violência pública, crime organizado e crime do colarinho branco no Espírito Santo?  
– Eu estou preparado para responder a qualquer coisa, porque respondo com o coração. Em 1988, eu nem pensava em vida pública, gostava muito de carnaval, ajudava escolas de samba, comprava muitos camarotes, levava a sociedade para lá. Um dia, um jornalista amigo me alertou para ter cuidado porque eu estava muito na vitrine. Passou-se pouco tempo e eu fui violentado (refere-se à sua prisão, no governo de Max Mauro).  
O Espírito Santo é carente, primeiro, de uma bancada federal forte. Tirando uns dois deputados, a bancada não existe. No Senado, realmente não existe, não salva ninguém. Temos três piadas, não três senadores. Enquanto os outros senadores lutam por Estados que nada fazem pela União, os nossos senadores não conseguem mostrar ao governo federal os bilhões que, através dos portos capixabas, vão para os cofres federais. Eu já falava isso em 1997 e nada mudou.  
Em 2001, o governo estadual recolheu mais de R$ 3 bilhões em impostos federais e não veio nada para o Estado. Desde a Terceira Ponte, o governo federal não fez nada pelo Estado. O Espírito Santo é muito melhor para o Brasil do que o Brasil para o Espírito Santo. Trouxemos o PIB nacional, do Antônio Ermírio de Moraes ao Safra, para a inauguração da fábrica nova da Aracruz Celulose, empresa que tem 3 bilhões de dólares investidos.  
Para o leitor entender, o Espírito Santo deve hoje R$ 120 milhões de ICMS oriundos da Lei Kandir, porque o Estado é sacrificado por essa lei. As grandes empresas, como Vale e Aracruz, que é a maior empresa do mundo em celulose, são isentas de ICMS, são desoneradas pela Lei Kandir para proteger a balança comercial. Devemos às empresas exportadoras R$ 700 milhões para beneficiar toda a União.  
– Mais do que isso, essas empresas não só não pagam impostos, como recebem impostos do Estado.  
– Não pagam nada e são credoras. Essa é uma contabilidade que não bate comigo, e olha que eu sou do ramo e conheço de contabilidade. Não sou contra as grandes empresas, mas o que esses senadores fizeram ao longo desses anos para amenizar essa lei, que rouba o dinheiro capixaba, a ponto de deixar qualquer governante maluco? Quando critico os senadores, isso não é pessoal, mas é a atuação política deles.  
Se levarem 10 mil casas para São Paulo, o Antônio Carlos Magalhães peita: tem que levar também 10 mil para a Bahia. É assim que um senador deve fazer. O Espírito Santo está cansado de ouvir esses vendedores de ética e moralidade. Isso não se vende, se exercita. Não precisa dizer que é ético e honesto, ao longo de sua caminhada as pessoas vão notar isso.  
A vocação do Espírito Santo é porto. Temos que incrementar o comércio exterior no Estado, mas de maneira que o governo federal reconheça nossa importância e devolva a César o que é de César.  
– E qual sua visão sobre o crime?  
– Eu conheço bem o Estado. Por cima, de helicóptero, e por baixo, de carro. O Espírito Santo não tem nada disso que esse povo está falando por aí, com missão especial, missão estrangeira. O presidente da OAB é um homem que veio de Mantena, foi abrigado pelo nosso Estado, exerce um cargo honroso há mais de dez anos e, agora, vem falar que a Polícia Militar do Espírito Santo oferece perigo ao cidadão. Ele é um irresponsável, está sofrendo de esclerose múltipla. São esses inimigos que venho enfrentando.  
Qual é o crime organizado no Espírito Santo? Com relação a mim, não vou dizer nada. Vou responder no dia 3 de outubro, quando eles vão ver nas urnas quem é José Carlos Gratz aqui no Espírito Santo.  
Quando eu digo isso, estou falando como alguém que tem os depoimentos de todas as autoridades do Estado na CPI da Violência, na CPI do Narcotráfico e, agora, estou com a CPI do Crime Organizado. Ficar falando para a imprensa é muito fácil. Por que esses procuradores, dirigentes da OAB, não mostram quem é quem? Se você pegar os jornais de julho de 1994, as denúncias são as mesmas de hoje.  
Para que essas autoridades são pagas? Será que esse tal de crime organizado é eterno? Por que não resolveram o problema nesses oito anos?  
Agora, a violência existe. Se compararmos a nossa à de Rio, São Paulo e Pernambuco, vamos ter que tirar esses Estados do mapa brasileiro. Aqui você anda para todo lado, sobe morro, desce morro. O crime que ocorre por aqui é o decorrente da miséria, da má educação e das mazelas do dia-a-dia.  
– Se o sr. retirasse sua candidatura agora, acabaria toda essa celeuma? As ligações que fazem do sr. com o crime organizado passam por atividades que o sr. teria ligadas ao jogo legal. O sr. ainda tem essas ligações?  
– Se amanhã eu sair da política, nunca mais saio nas páginas dos jornais, até porque quem viveu de histórias foi Monteiro Lobato e não eu. Eu não sou homem de conversas, de contar histórias. Temos Justiça no jaís. Por que eles falam de mim há 20 anos e não apresentam nada? E 20 anos dá até para prescrever as versões, tem que começar uma nova. Você já viu um homem de bem nesse Estado falar mal de mim? Já ouviu um empresário sequer falando de mim? Só uma meia dúzia de picaretas ficam falando. Sou um homem que trabalho de 16 a 18 horas por dia, sou convicto de minha importância para o Estado.  
Outro dia, disse ao jornal “O Globo” que da minha vida pessoal cuido eu, da minha vida política, pública, cuida o povo. No dia em que o povo achar que eu não presto, vai às urnas e me reprova. Enquanto votar em mim, é porque gosta de meu trabalho. Não vai colar um procurador dizer que minha candidatura tem que ser impugnada porque fiz festa de aniversário. A Justiça é soberana e não vai entrar nessa conversa.  
Com relação ao jogo, vou aproveitar para fazer propaganda. Tenho, por exemplo, o Bingo Camburi, mas lá também tem o restaurante, o Bellia, que é o melhor da cidade, tem bons vinhos. Tudo o que tenho é legalizado, pagando todos os tributos, tanto os estaduais quanto os federais, em dia.  
– Alguns sites apócrifos na internet publicaram que o sr. viaja para paraísos fiscais para lavar dinheiro, mudando até a rota, passando a visitar a Austrália para levar dinheiro. Como o sr. explica isso?  
– Isso é um moleque que eu não conheço, um tal de João Aparecido, empregado do Max Mauro, que botou nesse site que eu viajava muito para a Austrália. Fui uma única vez à Austrália porque estava com muita saudade de meu filho, que estudava lá. Eu e minha mulher passamos uns dias, e pretendo até voltar à Nova Zelândia, que achei muito bonito.  
Se eu parar de perturbar a cabeça de meus adversários, eles me esquecem. Hoje eu sou lírio-do-campo, mas se eu largar viro tiririca-do-brejo (risos).  
– Na verdade, o sr. é considerado o homem politicamente mais importante do Estado, decorrente até do poder conferido ao Legislativo por uma Constituição parlamentarista num regime presidencialista. Quem manda no Estado, na verdade, é o presidente da Assembléia. Como o sr. vê o cenário daqui para a frente, já que há gente querendo tomar o seu cargo?  
– O mais importante na vida do homem público é o compromisso. Quando assumi a presidência da Assembléia disse que meu compromisso era reeleger o máximo de deputados que pudesse. O meu eleitor é forte como eu, não quer eleger um fraco.  
A Assembléia de 1994 reelegeu só cinco deputados, em 1998 reelegeu 12 deputados, fez quatro suplentes e dois federais, o Magno Malta e Ricardo Ferraço. Nunca isso aconteceu antes de José Carlos Gratz. Vamos tentar, agora, a mesma coisa. Isso é política, meu amigo. Esse negócio de mão única é só em estrada do interior, aqui tem que ter mão dupla. O deputado é um sofredor que nem o povo, fica 24 horas brigando e quer traduzir seu compromisso de voto em realidade.  
Pode ser o governo que for, talvez eu seja pior no plenário do que na cadeira de presidente para o próximo governador. Eles podem falar o que quiserem, mas não vão roubar minha massa cinzenta de jeito nenhum. Não vão me roubar a garra. Eu faço um alerta para qualquer governador que se eleger: é melhor eu ser presidente da Assembléia do que ser um deputado comum. Eu conheço o que é governar com oposição. Esses governantes do passado estão acostumados a atropelar o Legislativo e o Judiciário, e comigo as instituições são valorizadas.  
Um promotor ganhava um salário mínimo com Max Mauro, um juiz ganhava uma mixaria, mas comigo houve fortalecimento das instituições. O maior patrimônio que o Estado pode ter são as instituições fortes, como têm os Estados Unidos. Podem botar até um poste como presidente, e o deles não está muito longe disso, que o país funciona. Tem que fortalecer o Ministério Público, o Judiciário, o Legislativo, a Polícia Militar, a Procuradoria do Estado, a espinha dorsal do Estado. É isso que eles não querem, mas com Gratz não vão conseguir de maneira nenhuma esse enfraquecimento.  
Perguntem ao governador José Ignácio Ferreira, que não é soberano em suas decisões, como a Assembléia é parceira. Não é a Assembléia que comanda o Estado, mas eu não entrego minha caneta para ninguém. Vocês acham, por exemplo, que eu vou permitir que o próximo govenador, e os dois candidatos são meus adversários, privatize o Banestes? Se isso não ocorrer até setembro, em outubro eu faço uma emenda constitucional proibindo a privatização.  
– Mas é inevitável a privatização...  
– Todo mundo sabe, só tem o Banestes hoje vinculado ao Estado. O povo sabe que o Banestes carrega R$ 5 milhões por mês do dinheiro do Estado? Devemos R$ 600 milhões daquela dívida de R$ 400 milhões para sanear o banco, feita no governo Vitor Buaiz.  
– Para apurar lucro contábil?  
– Não existe lucro, é tudo fabricado. Sou profissional da área, é tudo fabricado. Uma hora vai implodir. Se não tivéssemos aprovado aquele empréstimo em 1997, e que fui contra, o banco já era tamborete.  
– Se o sr. impedir a privatização, a bomba vai ficar no colo dos seus adversários?!  
– A bomba vai ficar no colo deles e vão ter que pedir à Assembléia. Não transfiro o meu poder para outrem. O meu poder foi delegado pelo povo e vou exercê-lo. Se sou presidente, a outorga é dada pelos deputados. Os 28 votos que tive para presidente da Assembléia representam 1 milhão de eleitores, isso é mais do que recebeu o governador.  
Apesar de eu ser um brincalhão, não sou político de tapinha nas costas, de dar óculos, dentadura. Sou político de propostas, sou muito jovem para me preocupar com meu futuro, que já conheço. É de vitórias, não nasci nem para empatar. Acho que minhas posições desagradam a essas oligarquias antigas e a esses comandos que pregam, como dizia Ulysses Guimarães aos 80 anos, “temos que mudar”. Mudar o quê, depois de 11 mandatos?  
– Quando se fala em Max Mauro, ele representa uma oligarquia, embora o povo esqueça um pouco isso. O clã vem do pai, que foi prefeito de Vila Velha, e ele também foi prefeito do município e governador. O filho dele, agora, é também prefeito. Já o prefeito de Vitória é descendente de outra oligarquia, Vellozo, que fundou a Rede Gazeta, e a mãe dele é uma mulher importantíssima na vida política capixaba. O menos vinculado é o senador Paulo Hartung, mas que vem de uma história de política estudantil, numa trajetória diferente da sua, que caiu dentro da política. O sr. não acha que está enfrentando pessoas com uma bagagem política bem maior e de mais tradição do que a sua? E mais: o sr. não acha que está criando inimigos demais ao enfrentar a Aracruz Celulose com a proibição do plantio de eucaliptos; e as redes de comunicação ao obrigar que paguem o ICMS; e agora a Petrobras com a cassação do direito de explorar o gás?  
– Tudo isso é verdade, mas é o campo que gosto. Eu sou oriundo de um cruzamento de bárbaros, vikings e tártaros, povos que dormiam às 3 da manhã e acordavam às 5 para ir à guerra. Minha origem é essa, eu não tenho medo. Essas pessoas não vão me intimidar, embora eu reconheça o poder de todas elas. Mas na política não sou Cafuringa, eu sou Pelé.  
– Conte essas histórias para a gente, os problemas da Aracruz, das redes de comunicação e da Petrobras.  
– A Aracruz Celulose é uma empresa que dignifica o Brasil e o Espírito Santo, mas que não traduz em realidade a felicidade do povo capixaba. Não queremos proibir o plantio de eucalipto, queremos disciplinar. Não posso fazer um prédio de 20 andares na Ilha do Frade porque existe o PDU (Plano Diretor Urbano), e eu quero fazer o PDR (Plano Diretor Rural), porque, se deixar solto, temos apenas 46 mil quilômetros quadrados de terras, e somente 33% são mecanizáveis.  
A metade está com eucalipto plantado.  
O que queremos é que a Aracruz sente conosco e diga que vai fazer o suficiente para manter a Fábrica C, não vai sair comprando as terras todas, oferecendo facilidades para agricultor que está precisando de dinheiro. O povo capixaba não come folha de eucalipto, come alface, arroz, feijão, tomate, batata, abóbora, abacaxi, bebe café. Não podemos importar essas coisas. Se a Aracruz não sentar para conversar, vai ter que me derrotar.  
Segundo: os meios de comunicação. Virei o inimigo número um do Brasil, mas isso não tem problema, viking não tem medo. Fizemos uma lei colocando 25% de imposto para as televisões, porque o capixaba paga 25% de ICMS para dar um telefonema ou acender uma lâmpada. Por que esses que atacam e agridem, mas moram em mansões na Aldeia e na Ilha do Frade, conseguidas com isenções de impostos, dadas por Max Mauro em 1989, vão continuar privilegiadas? Revistas e jornais são isentos de impostos pela Constituição Federal, mas televisão não é isenta e vai ter que pagar. Se 25% é alto, vamos sentar com o Estado para discutir, mas vai pagar.  
– As televisões do resto do país pagam esse imposto?  
– Eu disse que sou o inimigo número um do país porque fui, uma semana, página dos jornais do Sul do país, onde a RBS, que controla também a Rede Gazeta, e tem 20 televisões lá, fez isso. Eu virei moda nacional. Desde que criamos essa lei aqui, o assunto foi para o Confaz (Conselho Fazendário Nacional) e todo mundo, no Brasil inteiro, vai ter que pagar. Eles não vão conseguir evitar isso. Vieram conversar duas vezes comigo e não teve acordo, porque não faço esse tipo de acordo.  
Quero bem ao Espírito Santo, nasci aqui, me criei aqui, e vou morrer aqui. Estrangeiro não vai criar barriga enquanto eu for autoridade no Espírito Santo.  
Virou moda nacional, eu despertei todo mundo. Já estão cobrando o imposto em Alagoas e já estão tentando até em cima da Globo. E digo mais: não sei se vou poder continuar andando sozinho como ando, porque vou entrar com uma ação popular contra a Rede Globo para que ela pague o imposto no Espírito Santo, porque eles cobram 1 milhão de dólares de um grande anunciante, a propaganda passa na minha casa e o Espírito Santo não recebe nada da Globo. Mas isso está previsto no Código Tributário.  
Eu não posso vender no Rio de Janeiro o meu bingo do Espírito Santo, mas a Globo pode entrar na minha casa e não pagar nada de imposto?  
– O sr. disse que talvez tenha que contratar segurança, mas com toda essa celeuma de crime organizado em cima, o sr. não anda com seguranças, num carro blindado?  
– Quem anda com segurança tem a consciência pesada. Nunca botei uma arma na minha mão, não aceito isso. Apesar de ter a Casa Militar da Assembléia, ando sempre sozinho, nos morros, nos bairros chiques, no calçadão, em qualquer lugar.  
– Deputado, falta o problema da suspensão da concessão do gás à Petrobras...  
– É justo ter um contrato feito por um governador há quase 10 anos (Albuino Azeredo), que não passou pela Assembléia, que ninguém ficou sabendo, em que havia um compromisso da Petrobras, na exploração de gás canalizado, criar uma Companhia de Gás com 33% de participação do Estado, e em 10 anos não foi criado nada, e somente há uma semana eu, como presidente da Assembléia, consegui ver esse contrato? Isso é justo?  
Temos 22 empresas de gás no Brasil, todas elas de Estados, em parcerias com iniciativa privada, nenhuma é federal. Passei isso para a imprensa e não sei se saiu.  
Não quero causar prejuízos à Petrobras, mas como presidente do Poder Legislativo não posso admitir que o Espírito Santo seja lesado. Se estão perfurando o solo capixaba com gasodutos, o Estado tem que tomar conhecimento disso, temos que ter tributos, mas o Estado não sabe de nada.  
O Poder Legislativo tem que ser forte, porque é composto por 100% da sociedade, a Assembléia está sempre aberta ao povo. E posições como essa, em relação à Petrobras, são claras. A empresa honra o Brasil, mas não pode entrar e fazer o que quer.  
– O sr. sabe que nos bastidores se comenta que a Assembléia estaria criando, nesses casos, dificuldades para comprar facilidades. Isto é, criando dificuldades para sentar com os interessados e negociar. Mas negociar o quê?  
– A mídia é que vende dificuldades para comprar facilidades. Grande parte da nossa imprensa faz isso. O que o capixaba não sabe é que a imprensa não divulga o que não interessa a ela. Ninguém sabe que, antes de o deputado Madureira presidir a comissão de finanças, o orçamento do governo previa R$ 30 milhões anuais para os veículos de comunicação. Acabamos com isso e, para fazer publicidade hoje, o governo precisa de autorização da Assembléia. Isso não interessa divulgar, mas virou o jogo e não há desperdício de dinheiro público com caderninhos encomendados nos jornais.  
Os jornalistas escrevem o que querem. Vejo absurdos nos editoriais que me causam nojo, mas como conheço a tradição desses donos de redes de comunicação não vou me preocupar com isso. Se faço uma lei que beneficia o Estado, eles escrevem um editorial dizendo que prejudica. Dizem que eu quero que não haja gás no Espírito Santo. Eu quero gás saindo de tudo quanto é tubulação, porque a reserva do Estado é a maior da América Latina, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo. O que não quero é que esse gás seja uma Lei Kandir: a Petrobras vem aqui, canaliza o gás, vende e nós só vamos cheirar o gás. Não vou aceitar.  
Mando fax para eles todas as vezes, mas não dão direito de resposta. Escracham a gente na primeira página e publicam a resposta nos classificados.  
– O Fundap (Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias, que dá incentivos para importações pelos portos capixabas) é visto por muitos como uma seita secreta que se reúne para prejudicar o Estado. Como o sr. vê isso?  
– Conheço bem o Fundap, porque sou nascido e criado aqui e exatamente nesse período de sua criação, pelo Graciano Espíndula em 1970, eu trabalhava como contador para o Toniato. O Fundap roubava receitas do Porto de Santos até há pouco tempo, quando uma lei do deputado Robson Neves passou a exigir que as mercadorias realmente passassem pelo Espírito Santo. Antes, apenas eram desembaraçadas aqui, mesmo chegando em outros Estados, principalmente em São Paulo.  
A lei é perfeita, porque concedemos incentivo financeiro e não fiscal, que hoje é proibido. As empresas são obrigadas a recolher os impostos e recebem financiamento. Agora, eu considero os fundapianos uns heróis. São criticados por alguns políticos, mas não merecem isso. Dinheiro não tem pátria, se se aborrecerem podem ir para qualquer lugar com seu dinheiro.  
Somente os grandes, os inteligentes, os trabalhadores crescem. Eu fui fundapiano e não obtive sucesso nos primeiros negócios que fiz. Criei uma empresa grande, que acabou quebrando. O Fundap é um mecanismo criado pelo Estado para ajudar os municípios, porque nos cofres estaduais não fica quase nada. Mas para os municípios é fundamental. Se acabar o Fundap, quebram os municípios.  
– Estamos conversando aqui sobre questões de Estado e o sr. é o que se poderia chamar ainda de neófito na política, pois está nisso há apenas 12 anos. Agora, o sr. é acusado de chefiar o crime organizado. Há pouco tempo vimos o ministro Elcio Alvares ser defenestrado sem provas. O sr. não teme que construam alguma coisa da mesma forma para prejudicá-lo?  
– Sou admirador do Elcio, mas a diferença entre nós é de vinho tinto para vinho branco. O Elcio está mais para viver em um mosteiro. E há outra diferença: ele era nomeado e foi sacado pela covardia de um presidente da República; já eu, fui eleito, represento 3,2 milhões de capixabas. E tal qual Elcio Alvares, não devo nada à Justiça.  
Meu principal acusador tem laudo médico de loucura, e fez um cronograma do crime organizado com 500 pessoas citando Elcio Alvares, Gerson Camata, desembargadores e mais um monte de gente, só que quem responde sempre sou eu. O Elcio não soube reagir às acusações que lhe fizeram. Eu reagi, botei aquela corja da CPI do Narcotráfico para fora daqui e disse que o relatório deles era papel higiênico usado. E cadê o relatório deles?  
– Nas últimas eleições, o sr. reelegeu 12 deputados estaduais, e agora alguns deputados estão até desistindo de concorrer. Como o sr. avalia a possibilidade de reeleição dos atuais deputados e as suas chances de continuar com maioria na Assembléia?  
– Nunca houve uma Assembléia com tanta credibilidade quanto essa. Sou o único presidente de Assembléia que passa pelo crivo dos institutos de pesquisa, apareço com intenções de votos em todo o Estado. A Assembléia tem 53% de bom, regular e ótimo, enquanto no passado havia 90% contra. Os deputados estão de parabéns, foram brilhantes principalmente em relação àquilo que não foi divulgado, porque a mídia é muito tímida na hora de falar bem. Fizemos uma verdadeira reforma tributária no Espírito Santo e não disseram nada.  
Talvez seis a sete deputados não serão candidatos. Dentro de pouco tempo vamos saber isso. O que posso falar é que eu ajudei a eleger 46 prefeitos em 2000 e que peço para apoiar deputados amigos meus. A Assembléia não faz menos de 12 deputados dos atuais, de 24 ou 25 que vão para a reeleição. E das legendas, a gente faz mais uns seis. Isso significa que meu grupo político na próxima legislatura faz 65% dos deputados.  
– O que lhe dá essa convicção?  
– Está escrito desde as tábuas de Moisés. Sou muito claro nas minhas posições.  
– Então, o próximo governador pode se preparar para sentar com o sr.?  
– O próximo governador vai sentar de qualquer maneira. Comigo na presidência ou não. A Assembléia hoje é outra, não fala amém. O governo é toda a estrutura que governa, é o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, não é apenas uma ponta. O governo somos todos nós.  
– Há 12 anos, o sr. cunhou a frase “o Senado é o paraíso”. Como o sr. diz que Ibiraçu, sua terra, é o mundo, quais são seus planos?  
– Nossos caminhos são traçados por nós mesmos. Se eu lançar minha candidatura ao governo do Estado, o mercado muda todo. Converso com 50 prefeitos por semana e o povo está sem vontade de votar nesses candidatos que estão aí. Vai ser o voto por exclusão. Para o Senado, é uma piada. Ninguém tem candidato.  
Eu nasci de um barro diferente. Eu poderia disputar o Senado agora, mas sou novo e tenho meus tempos. Agora o desafio é a Assembléia. O sonho do Max e do Paulo Hartung é me ver fora da Assembléia, e aceitei o desafio, que eles me fazem há muito tempo. Não interessa a eles comungar com a inteligência. Eu desafio o Max e o Paulo Hartung a discutirem o Espírito Santo comigo num debate ao vivo na televisão. Eles não aceitam.  
Eu sou preparado para discutir o meu Estado, centímetro por centímetro. Eu não tenho dúvida de minha votação, minha força política. Serei, se não o mais votado, um dos deputados mais votados. Eles não tenham dúvidas que vou me eleger, então é melhor sentarem comigo e vermos o que podemos fazer juntos.  
– Mas o sr. não tem abusado do poder, segundo o procurador da República, promovendo uma megafesta de aniversário?  
– Foi uma festa de aniversário numa segunda-feira, com 11 mil pessoas que entraram e outras 5 mil que voltaram para casa. O Ministério Público está querendo proibir festa de aniversário. Não tenho medo disso. Vou colocar as imagens de meu aniversário no telão do comício de lançamento de minha candidatura, dia 16 de agosto, em Itaparica. Tenho certeza de que não vai caber gente.  
Não quero brigar com o Ministério Público Federal porque o procurador-chefe, Fernando Herkenhoff, é capixaba e sou muito bairrista. Sou presidente da Assembléia hoje, mas sou o mesmo Zé Alemão da Ilha das Flores.  
– Para os amigos, o sr. é um homem leal, autêntico, corajoso. Para os inimigos, o sr. é um capo. Como o sr. se define, anjo ou demônio?  
– Um pouco dos dois. Sou demônio para os inimigos e anjo para os amigos.  



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