Quem viu em pleno mês de fevereiro, amputado pelo carnaval – a maior festa popular do País – a Revista VidaBrasil comercializar com 42 anunciantes, 32 das suas 92 páginas, ou seja 35 % do volume, não imagina o que se passa nos bastidores da publicidade, principalmente a capixaba.
Nos morros e favelas, bandidos e traficantes cobram pedágio dos moradores. Nas grandes cidades, zonas de comercialização, especialmente de importados, a máfia chinesa cobra “proteção” sos comerciantes mais modestos e até de alguns mais abastados.
Na publicidade não é diferente. A comparação é grosseira, mas só assim, acreditamos possível sacudir os donos da mamata. Com rarissímas excessões, as agências de publicidade do Estado, estão repletas de oportunistas, lobistas e até mesmo de picaretas que não sabem distinguir entre um texto e uma imagem.
Aos veículos, mais modestos, é, sem trocadilho, cobrado uma espécie de pedágio, uma proteção. Pois só isso justifica os 20% que elas embolsam sem fazer absolutamente nada. Há por exemplo casos nos quais uma peça de governo é repetida várias vezes em vários veículos. “A Agência” emite a cobrança de 20% de comissão e na maioria das vezes cobra do anunciante a produção e o fotolito, que hoje, via de regra, o próprio veículo oferece gratuitamente.
Incapazes de oferecer o veículo à sua clientela, as “agências” esperam que o Comercial do próprio o faça, e ficam assim tipo; “é melhor vocês pagarem a comissão e ficarem calados”. De certa forma, como a máfia chinesa, ou os traficantes do morro, eles nos cobram proteção. Cobram para não atrapalhar. E como atrapalham! Atrapalham o fechamento da edição, atrapalham a boa negociação com o anunciante e atrapalham até a qualidade do anúncio. Absolutamente impontuais, oferecem pouquíssimos recursos técnicos e não têm sequer um office boy para entregar o material que lhes permitir faturar na moleza, 20% de comissão.
E isso vai continuar, sabemos, ainda por muito tempo. Só acabará, quando os donos do dinheiro, os que pagam as contas, olharem com mais atenção e deixarem de escolher agência em função do lobby e do envolvimento pessoal dos “agentes”. No capítulo dinheiro público, quando os governantes resolverem fazer uma faxina e espalhar ratoeiras em alguns dos seus quadros e na porta de certas agências.
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